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Agronegócios
Sábado - 27 de Junho de 2026 às 08:16
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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Programa do governo federal cria corredor logístico entre Brasil e Bolívia para reduzir custos de transporte e facilitar exportações aos mercados asiáticos
Programa do governo federal cria corredor logístico entre Brasil e Bolívia para reduzir custos de transporte e facilitar exportações aos mercados asiáticos

O agronegócio de Mato Grosso poderá ganhar uma nova alternativa para escoar sua produção rumo ao mercado internacional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que busca fortalecer a integração entre os dois países e criar corredores de exportação com acesso aos portos do Oceano Pacífico.

A portaria que cria o programa foi assinada na última terça-feira (23), em Brasília, pelo ministro da Agricultura, André de Paula.

Para o setor produtivo mato-grossense, a medida representa um passo importante para reduzir a dependência das rotas tradicionais pelos portos brasileiros e diminuir os custos logísticos, um dos principais entraves à competitividade da produção estadual.

Maior produtor agropecuário do país e detentor de extensa faixa de fronteira com a Bolívia, Mato Grosso é apontado como um dos principais beneficiados pela iniciativa.

A nova ligação poderá facilitar o transporte de grãos, carnes e outros produtos destinados, principalmente, aos mercados asiáticos.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, participou da cerimônia de lançamento e afirmou que a nova rota atende a uma reivindicação antiga do setor.

"Esse era um momento esperado há vários anos. Mato Grosso é distante dos mercados, dos portos e das principais saídas para exportação. A integração com a Bolívia abre mais uma rota de escoamento pelo oeste do Estado e pode alavancar não só essa região, mas toda a economia agropecuária mato-grossense", afirmou.

O programa prevê a estruturação de corredores logísticos transfronteiriços, tendo como um dos principais eixos a chamada Rota 3/Rondon.

O trajeto parte da região Oeste de Mato Grosso, passa por Vila Bela da Santíssima Trindade (a 531 km de Cuiabá), cruza o território boliviano e segue até os portos localizados no Oceano Pacífico.

A expectativa é que o novo corredor reduza distâncias, desafogue rotas já consolidadas e ofereça maior eficiência ao transporte da produção agropecuária.

Além da logística de exportação, a iniciativa também pretende ampliar a cooperação econômica entre Brasil e Bolívia. Segundo Vilmondes Tomain, a integração poderá facilitar o acesso do setor produtivo a insumos estratégicos, como fertilizantes, além de estimular novos investimentos e oportunidades de desenvolvimento na faixa de fronteira.

"Essa integração é positiva para os dois lados. Mato Grosso tem tecnologia, produtores preparados e grande capacidade produtiva. A Bolívia também tem muito a oferecer, especialmente em insumos que interessam ao nosso setor. É uma relação que pode gerar desenvolvimento, segurança e oportunidades para toda a região", destacou.

O dirigente lembrou ainda que Mato Grosso já vem realizando investimentos para viabilizar a futura ligação internacional.

Entre eles, está a pavimentação de trechos rodoviários até a fronteira com a Bolívia, saindo de Vila Bela da Santíssima Trindade. Segundo ele, o próximo desafio será consolidar a infraestrutura em território boliviano, especialmente no trecho em direção a San Ignacio.

"O Estado já começou a trabalhar nesse caminho, com obras até a divisa com a Bolívia. Agora, o desafio é consolidar também o trecho do lado boliviano. Essa rota pode atender à demanda de Mato Grosso, ajudar no escoamento da produção e abrir novas oportunidades para os dois países", afirmou.

Além da criação dos corredores logísticos, o programa prevê ações voltadas à facilitação regulatória, promoção comercial, cooperação técnica e sanitária e atração de investimentos em infraestrutura.

Para a Famato, ampliar as opções de transporte é essencial para fortalecer a competitividade da produção mato-grossense.

"Falar em distância é falar em Mato Grosso. Estamos longe dos insumos e também longe dos portos para entregar nossos produtos. Por isso, cada nova alternativa logística representa ganho para o produtor rural e para o desenvolvimento do Estado", concluiu Vilmondes Tomain.

A operacionalização do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico ficará a cargo da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, que instituirá um Comitê Gestor responsável por coordenar as ações e acompanhar a implantação do novo corredor de integração regional.





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