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Agronegócios
Quarta - 01 de Julho de 2026 às 10:31
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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O Governo Federal lançou, na terça-feira (30), o Plano Safra 2026/2027, destinando R$ 525,1 bilhões para financiar a agricultura empresarial.

O valor representa um acréscimo nominal de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, quando foram disponibilizados R$ 516 bilhões.

Somados aos recursos destinados à agricultura familiar, que serão anunciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o volume total de crédito deverá alcançar cerca de R$ 610 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda.

O lançamento ocorreu no Palácio do Planalto e foi conduzido pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), enquanto Lula participava da reunião do Mercosul, no Paraguai.

Do total destinado à agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões serão direcionados ao custeio e à comercialização da produção, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos em irrigação, armazenagem, aquisição de máquinas, infraestrutura e inovação tecnológica.

Segundo o Governo, o plano também reduz os juros em linhas consideradas estratégicas.

Entre os destaques, está a oferta de R$ 72,6 bilhões para médios produtores, com taxas de até 9% ao ano, além de descontos de até um ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e que adotem práticas sustentáveis.

"É um Plano Safra maior no seu volume e com juros menores", afirmou Alckmin, durante a cerimônia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ressaltou que, apesar do cenário de juros elevados na economia, o Governo conseguiu reduzir o custo do crédito rural.

"Passamos de um patamar de 14% para 12% ao ano na maior parte das linhas e de 10% para 9% em outras", afirmou.

Já o ministro da Agricultura, André de Paula, destacou que o presidente Lula acompanhou pessoalmente a elaboração do programa e defendeu que responsabilidade fiscal e política agrícola caminhem juntas.

PERDA DE PODER DE COMPRA - Apesar do aumento nominal dos recursos, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Aprosoja Mato Grosso avaliaram que o novo Plano Safra representa uma redução real da capacidade de financiamento ao produtor.

Em nota assinada pelo presidente das duas entidades, Lucas Costa Beber, a associação afirma que o crescimento de 1,7% no volume anunciado fica abaixo da inflação acumulada do período, estimada em cerca de 4,4%, o que representaria uma perda real de aproximadamente R$ 13,6 bilhões no poder de compra do crédito.

A principal crítica recai sobre a redução dos recursos destinados ao custeio e à comercialização da produção, que passaram de R$ 414,7 bilhões na safra passada para R$ 384,9 bilhões neste ciclo, queda de R$ 29,8 bilhões.

Em contrapartida, os recursos para investimentos foram ampliados para R$ 140,2 bilhões.

Segundo a entidade, o problema vai além do volume anunciado.

A Aprosoja sustenta que, nos últimos anos, houve diminuição das linhas tradicionais de crédito rural com recursos equalizados e crescimento da participação de operações com recursos livres e Cédulas de Produto Rural (CPRs), modalidades consideradas mais caras e seletivas.

Na avaliação da entidade, essa mudança ocorre justamente em um momento de aumento do endividamento dos produtores rurais, pressionados pela combinação de juros elevados, perdas climáticas, queda no preço das commodities e aumento dos custos de produção.

A Aprosoja também demonstra preocupação com as novas regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para renegociação de dívidas rurais, que tornam mais restritiva a concessão de prorrogações de financiamentos pelas instituições financeiras.

Para Lucas Beber, o setor precisa de uma política que garanta crédito suficiente para custeio e comercialização da safra, além de uma solução estrutural para o endividamento dos produtores.

A entidade defende a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que cria uma linha especial de renegociação com recursos do Fundo Social do Pré-Sal, prevendo carência, juros compatíveis com a atividade e condições mais amplas de refinanciamento.

"A agricultura brasileira continua sendo um dos principais motores da economia nacional. Mais do que anunciar volumes expressivos de recursos, é preciso garantir que o crédito chegue efetivamente ao produtor e que existam mecanismos viáveis para reorganizar o passivo acumulado", afirma a nota.

A Aprosoja informou que continuará mantendo diálogo técnico com o Ministério da Agricultura, Banco Central, Congresso Nacional e instituições financeiras para aperfeiçoar a política de crédito rural e ampliar o acesso dos produtores aos financiamentos.





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