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Economia
Sexta - 17 de Julho de 2026 às 13:42
Por: Pollyana Araújo/Primeira Página

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O primeiro semestre de 2026 terminou com números históricos para as exportações de carne bovina de Mato Grosso, mas o cenário para os próximos meses já preocupa o setor. A redução das compras pela China, principal destino da proteína produzida no estado, e a entrada em vigor de novas exigências ambientais da União Europeia devem dificultar o ritmo dos embarques no segundo semestre.

Dados do setor mostram que Mato Grosso exportou mais de 511 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e junho deste ano, movimentando cerca de US$ 2,41 bilhões. Apesar do desempenho recorde, representantes da cadeia produtiva avaliam que o mercado internacional passa por mudanças que exigirão adaptação dos frigoríficos e produtores.

Carne em frigoríficoEm 2026, a cota para a carne brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas, abaixo do volume registrado em anos anteriores. – Foto: Reprodução

Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Rodrigo Silva, o mercado da carne é dinâmico e a redução temporária das compras chinesas deve gerar impacto, mas não interromper completamente os embarques.

“O mercado é sempre dinâmico. Claro que isso traz dificuldades, uma vez que o principal cliente diminui a intensidade das compras. Mas a China contabiliza a entrada da mercadoria no país, e não a saída do Brasil. Como o transporte leva cerca de 40 dias, a expectativa é que alguns embarques voltem a ocorrer no fim de outubro”, explicou.

China atinge limite de importações

O principal fator de preocupação é que a China atingiu a cota anual de importação de carne bovina sem cobrança de tarifa adicional.

Neste ano, o limite para a carne brasileira foi fixado em 1,106 milhão de toneladas. Como parte dos embarques realizados no fim de 2025 entrou na contabilidade de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que o Brasil conseguirá embarcar cerca de 900 mil toneladas para o mercado chinês neste ano.

O volume representa pouco mais da metade do exportado no ano passado.

Segundo o presidente da Abiec, Rodrigo Perosa, a redução da cota obrigará toda a cadeia produtiva a rever estratégias.

“Quando tivemos o estabelecimento das cotas, houve uma redução de aproximadamente 35% da demanda. Saímos de cerca de 1,7 milhão de toneladas para pouco mais de 1,1 milhão. Isso faz com que tenhamos de repensar todo o modelo implementado no Brasil. O país atingiu um alto grau de produção e produtividade, mas o principal mercado que absorvia essa carne não demandará mais o mesmo volume pelos próximos três anos”, afirmou.

EXPORTAÇÃO DE CARNE

Como funciona a cota chinesa?

A China estabelece um limite anual para a entrada de carne bovina com tarifa menor. Quando esse volume é atingido, o produto passa a pagar uma taxa adicional.

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China define o limite

Em 2026, a cota destinada à carne brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas.

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Contagem ocorre na chegada

A carga entra na cota quando chega aos portos chineses, e não quando deixa o Brasil.

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Embarques antigos entram na conta

Parte da carne enviada no fim de 2025 chegou à China em 2026 e consumiu uma parcela da cota deste ano.

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Cota atingida encarece o produto

A exportação pode continuar, mas passa a sofrer uma tarifa adicional, reduzindo a competitividade da carne brasileira.

IMPACTO PREVISTOCerca de 900 mil toneladas

É o volume que o Brasil deve conseguir enviar ao mercado chinês em 2026, segundo estimativa da Abiec.

Na prática: quanto mais perto do limite, maior o risco de os compradores chineses reduzirem ou adiarem novos pedidos.

União Europeia também preocupa

Além do mercado chinês, o setor acompanha com atenção a entrada em vigor das novas regras da União Europeia para importação de produtos agropecuários.

As exigências passam a valer em 3 de setembro e estabelecem critérios relacionados à rastreabilidade e ao combate ao desmatamento.

Embora represente cerca de 5% do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por remunerar melhor determinados cortes bovinos.

Segundo Rodrigo Perosa, perder espaço nesse mercado significaria reduzir a rentabilidade das exportações.

“A União Europeia representa cerca de 5% do volume exportado, mas é um mercado de alto valor agregado. Ela compra cortes que muitas vezes não têm o mesmo destino na Ásia. Por isso, é importante que o Brasil mantenha esse mercado aberto e continue atendendo às exigências”, destacou.

Expectativa é de adaptação

Apesar das dificuldades previstas, o setor não trabalha com perspectiva de paralisação das exportações, mas sim de uma reorganização dos embarques e da busca por novos mercados.

A expectativa é que a redução das compras chinesas seja parcialmente compensada ao longo dos próximos meses e que o Brasil consiga atender às exigências internacionais para manter sua competitividade.

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