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Policia MT
Sábado - 01 de Agosto de 2026 às 08:47
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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Mato Grosso reduziu o número de estupros registrados em 2025, mas continua entre os estados brasileiros com maior incidência desse tipo de violência.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Estado contabilizou 2.337 casos de estupro e estupro de vulnerável, contra 2.755 ocorrências no ano anterior, queda de 15,2%.

Mesmo com a redução, o problema permanece em níveis elevados.

Em média, 6,4 pessoas foram vítimas de estupro por dia em Mato Grosso, durante o ano passado.

ANUÁRIO info assédio sexual

A taxa estadual ficou em 60 casos por 100 mil habitantes, índice 52% superior à média brasileira, de 39,5 registros por 100 mil habitantes, demonstrando que a violência sexual continua muito acima do padrão nacional.

Os dados mostram que a maior parte das vítimas é composta por crianças e adolescentes.

Dos 2.337 registros, 1.667 foram classificados como estupro de vulnerável, modalidade que envolve vítimas menores de 14 anos ou pessoas incapazes de oferecer consentimento.

Outros 670 casos foram enquadrados como estupro.

Os estupros de vulnerável responderam por aproximadamente 71% de todas as ocorrências registradas em Mato Grosso em 2025, reforçando que a violência sexual atinge principalmente crianças e adolescentes.

Embora essa modalidade tenha apresentado queda de 19,5% em relação ao ano anterior, a taxa estadual permaneceu elevada, alcançando 42,8 casos por 100 mil habitantes, a 9ª maior do país.

Já os casos de estupro tiveram redução mais discreta.

Foram 670 registros, queda de 2,2% em comparação com 2024.

Ainda assim, a taxa de 17,2 casos por 100 mil habitantes colocou Mato Grosso na 5ª posição nacional, evidenciando que o Estado continua entre os mais afetados por esse tipo de crime.

Especialistas destacam que os números oficiais provavelmente representam apenas parte da realidade.

A violência sexual é considerada um dos crimes com maior índice de subnotificação, sobretudo, quando envolve crianças, adolescentes ou vítimas que mantêm vínculo familiar ou afetivo com o agressor.

Em muitos casos, o abuso ocorre dentro da própria residência, é praticado por pessoas conhecidas da vítima e permanece oculto durante meses ou até anos, dificultando a denúncia e a responsabilização dos autores.

Os indicadores também integram um cenário mais amplo de violência contra mulheres e meninas em Mato Grosso.

Em 2025, o Estado registrou 53 feminicídios, 241 tentativas de feminicídio, 9.954 casos de violência doméstica, 18.876 ameaças, 3.720 episódios de violência psicológica e 2.970 ocorrências de perseguição (stalking).

Os dados reforçam que diferentes formas de violência frequentemente coexistem e exigem atuação integrada dos órgãos de proteção.

Para especialistas, além da repressão criminal, o enfrentamento da violência sexual depende do fortalecimento da rede de proteção à infância, da capacitação de profissionais da saúde e da educação para identificação precoce dos casos e da ampliação dos canais de denúncia.





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