Cláudio Ferreira segue Abilio e se rebela contra aliança com MDB
O prefeito de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), Cláudio Ferreira (PL), uniu-se ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e manifestou pública oposição ao acordo firmado pela cúpula nacional do Partido Liberal com o MDB em Mato Grosso. Em posicionamento contundente nas redes sociais, Ferreira rechaçou a aliança chancelada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que definiu o apoio à pré-candidatura da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado na chapa majoritária encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL).
Antes mesmo do desenho da coligação com o MDB, Cláudio Ferreira já havia declarado apoio à candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao governo do Estado, consolidando um alinhamento distante dos rumos tomados pelo comando de seu partido. Em sua declaração, o prefeito de Rondonópolis relembrou o histórico de disputas locais para justificar sua postura de confronto com a diretriz partidária.
"Não apoio o projeto político liderado pelo MDB em Mato Grosso. Com muito esforço, vencemos aqui em Rondonópolis o MDB do Bezerra, Riva, Thiago Silva, Emanoel Pinheiro e etc. Segundo o próprio Bezerra, eles mandaram por mais de 40 anos em nosso município. Particularmente, não concordo com o projeto político do MDB para a nossa cidade, nosso querido MT e para o Brasil", diz a postagem.
Ferreira acrescentou que a aproximação entre as legendas fere os princípios que defende na vida pública e reafirmou seu apoio a outros nomes do campo conservador. "A aliança do novo PL com o MDB em Mato Grosso é uma total incoerência, não representa absolutamente nada do propósito que busco na vida pública. Sigo firme com Flávio Bolsonaro para presidente e Medeiros para o Senado."
A reação do gestor de Rondonópolis amplia a turbulência no diretório regional do PL, deflagrada após a revelação do arranjo político nacional. A costura realizada por Valdemar visava integrar o MDB ao arco de alianças do PL em Mato Grosso, prevendo a participação ativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no palanque de Janaina Riva.
Em contrapartida, o acordo exigia uma trégua política e proibia estritamente que filiados do PL fizessem críticas públicas ao MDB ou à pré-candidatura de Janaina ao Senado. A exigência, no entanto, foi ignorada pelas principais lideranças liberais do estado. Antes do posicionamento de Cláudio Ferreira, Abilio Brunini já havia desafiado a direção nacional ao declarar que não cumpriria a determinação e que não faria campanha para Janaina Riva.
"Não vou [mudar] meus princípios. Se o PL se aliar ao PT amanhã, eu vou ser obrigado a fazer campanha também por fidelidade partidária? Não vou", disparou Abilio, que sugeriu que a legenda o expulsasse caso quisesse puni-lo.
A rebelião dupla de Abilio e Cláudio Ferreira escancara a divisão do PL em Mato Grosso. Enquanto a direção nacional prioriza o pragmatismo eleitoral e a ampliação de tempo de TV e alianças de centro, as bases bolsonaristas locais resistem à composição com caciques tradicionais do MDB e ameaçam construir palanques paralelos para as eleições de 2026.

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