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Agronegócios
Sábado - 15 de Agosto de 2026 às 09:17
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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O Estado de Mato Grosso se aproxima de 115 milhões de toneladas de grãos
O Estado de Mato Grosso se aproxima de 115 milhões de toneladas de grãos

Mato Grosso está a apenas 40 mil toneladas de romper, pela primeira vez, a barreira dos 115 milhões de toneladas de grãos, em uma única safra.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 114,96 milhões de toneladas a estimativa para o ciclo 2025/26, ampliando o recorde do maior produtor agrícola do país.

A nova projeção consta do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado na quinta-feira (13), penúltimo relatório oficial da atual temporada.

Em apenas um mês, a previsão para Mato Grosso passou de 113,38 milhões para 114,96 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 1,58 milhão de toneladas, ou 1,76%.

INFO safra recorde MT

Se confirmada, a produção também ficará 2,3% acima do recorde registrado na temporada passada.

O desempenho é sustentado principalmente pelo milho, que avançou mais do que soja e algodão e deve responder sozinho por mais de 57 milhões de toneladas.

Com a colheita da segunda safra chegando à reta final, o cereal passa inclusive a superar a soja em volume produzido no Estado.

MILHO PUXA NOVO RECORDE - A Conab estima a produção mato-grossense de milho segunda safra em 57,38 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 4,5% sobre as 54,92 milhões de toneladas obtidas no ciclo anterior.

São cerca de 2,46 milhões de toneladas adicionais em apenas uma temporada.

O avanço do milho é decisivo para explicar por que a safra estadual continua sendo revisada para cima mesmo depois de encerrada a colheita da soja.

O resultado também estabelece novo recorde para o cereal em Mato Grosso e reforça o peso crescente da segunda safra na produção estadual.

A dimensão pode ser observada na comparação com a soja: embora a oleaginosa continue sendo a principal cultura em valor e área, o milho deverá terminar o ciclo com aproximadamente 5,76 milhões de toneladas a mais em volume físico.

SOJA TAMBÉM BATE RECORDE - A soja encerrou a colheita em abril e também alcançou produção recorde.

Segundo a Conab, foram 51,62 milhões de toneladas, crescimento de 0,6% em relação à temporada anterior.

O avanço é bem menor que o observado no milho, mas consolida Mato Grosso como maior produtor nacional da oleaginosa.

Somadas, apenas soja e milho segunda safra chegam a aproximadamente 109 milhões de toneladas, respondendo pela maior parte da produção estadual.

O algodão segue em direção oposta na estimativa da Conab.

Apesar de levantamentos estaduais indicarem uma oferta recorde, a companhia federal projeta redução de 1,2% na produção de pluma, de 2,85 milhões para 2,81 milhões de toneladas.

UM TERÇO DA SAFRA NACIONAL - A liderança de Mato Grosso ganha dimensão quando comparada ao resultado brasileiro.

A Conab projeta para o país uma safra de 360,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,4%, equivalente a mais 8,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

Considerando a projeção de 114,96 milhões de toneladas para Mato Grosso, o Estado sozinho deverá responder por quase 32% de todos os grãos produzidos no Brasil.

Em outras palavras, aproximadamente uma em cada três toneladas da safra nacional sairá de Mato Grosso.

A área cultivada no país deverá alcançar 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1%, enquanto a produtividade média é estimada em 4.322 quilos por hectare.

143 MILHÕES DE TONELADAS DE MILHO - O milho também ganha protagonismo no cenário nacional.

A produção total brasileira deverá alcançar 143 milhões de toneladas.

A primeira safra, já encerrada, responde por 29,5 milhões de toneladas.

A segunda safra, principal ciclo do cereal no país, deverá produzir aproximadamente 111 milhões de toneladas. A terceira acrescentará outras 2,4 milhões.

Isso significa que somente o milho segunda safra produzido em Mato Grosso, com 57,38 milhões de toneladas, corresponde a mais da metade da produção nacional desse ciclo.

Na terceira safra, concentrada principalmente no Nordeste, problemas climáticos registrados desde junho prejudicaram as lavouras, sobretudo no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas.

SOJA CHEGA A 180,5 MILHÕES DE TONELADAS - A produção brasileira de soja está estimada em 180,5 milhões de toneladas.

Mato Grosso aparece novamente na liderança, com 51,6 milhões de toneladas.

A Bahia, por sua vez, apresenta a maior produtividade média prevista, de 4.260 quilos por hectare.

Para o algodão, a Conab estima produção nacional de aproximadamente 5,8 milhões de toneladas de algodão em caroço, resultando em 4,1 milhões de toneladas de pluma.

A colheita atingiu 43,7% da área, abaixo da média dos últimos cinco anos, mas superior aos 39% registrados no mesmo período da temporada passada.

FEIJÃO E TRIGO RECUAM - Nem todas as culturas acompanham os recordes de soja e milho.

A produção brasileira de feijão deverá ficar próxima de 3 milhões de toneladas, retração de 3,2%.

Mesmo com a redução, a Conab considera o volume suficiente para atender ao mercado interno.

O arroz deverá somar 11,1 milhões de toneladas, também com redução, atribuída à diminuição da área plantada.

Entre as culturas de inverno, o trigo apresenta queda mais expressiva.

A previsão é de 5,8 milhões de toneladas, recuo de 26,2% em relação a 2025, associado principalmente à redução de 20,4% na área cultivada.

Em Mato Grosso, porém, o fechamento da temporada deverá confirmar mais um recorde.

Depois de superar 100 milhões de toneladas e continuar ampliando a produção, o Estado termina o ciclo 2025/26 praticamente encostado em uma nova marca simbólica: 115 milhões de toneladas de grãos em uma única safra.





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