MT é único Estado da Amazônia onde desmatamento aumentou em 2025 Enquanto a derrubada da floresta recuou 12,07% na Amazônia Legal, Estado seguiu na direção contrária e registrou alta de 26,73%
Mato Grosso destoou do movimento de queda do desmatamento registrado na Amazônia Legal em 2025.
Enquanto oito dos nove estados da região reduziram a perda de vegetação nativa, o território mato-grossense foi o único a apresentar aumento, com avanço de 26,73% em apenas um ano.
A área desmatada no Estado passou de 1.257 km² em 2024 para 1.593 km² em 2025, um acréscimo de 336 km².
A área adicional derrubada em apenas um ano equivale a aproximadamente 47 mil campos de futebol.

Os números fazem parte dos dados consolidados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgados na quarta-feira (19) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O desempenho de Mato Grosso chama atenção principalmente pelo contraste com o restante da Amazônia Legal.
Em toda a região, foram desmatados 5.731 km² em 2025, ante 6.518 km² no ano anterior.
Isso representa redução de 12,07%, ou 787 km² de floresta derrubada a menos.
Mato Grosso caminhou no sentido oposto. Além de ser o único Estado com crescimento, concentrou sozinho 27,8% de todo o desmatamento registrado na Amazônia Legal no período.
Em outras palavras, mais de um em cada quatro quilômetros quadrados derrubados na região estava em território mato-grossense.
O levantamento considera o período entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025 e constitui a taxa anual consolidada utilizada pelo Governo Federal para acompanhar a perda de cobertura vegetal e orientar políticas públicas de prevenção e combate ao desmatamento.
SEGUNDO MAIOR DESMATAMENTO - Apesar da alta registrada em Mato Grosso, o Pará continua concentrando a maior área absoluta de floresta derrubada.
Foram 2.064 km² desmatados no território paraense em 2025. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 1.593 km².
Juntos, os dois estados responderam por aproximadamente 64% de toda a área desmatada na Amazônia Legal.
Depois aparecem Amazonas, com 979 km²; Acre, com 324 km²; Roraima, 285 km²; Rondônia, 229 km²; Maranhão, 210 km²; Tocantins, 30 km²; e Amapá, 17 km².
A diferença está na trajetória. Enquanto Mato Grosso aumentou a derrubada, todos os demais estados apresentaram redução.
As maiores quedas proporcionais foram registradas em Roraima, onde o desmatamento diminuiu 39,10%; Amapá, com recuo de 37,04%; e Rondônia, com redução de 36,39%.
O resultado coloca Mato Grosso numa situação particular dentro da política de controle ambiental da Amazônia: o Estado não lidera a área absoluta desmatada, mas foi o único a terminar o período com deterioração do indicador.
336 KM² A MAIS - A evolução dos números também dimensiona o desafio enfrentado pelo Estado.
O acréscimo de 336 km² registrado entre um levantamento e outro corresponde a cerca de 33,6 mil hectares de vegetação nativa.
O aumento mato-grossense também absorveu parte relevante do ganho obtido pelos demais estados.
Sem os 336 km² adicionais registrados em Mato Grosso, a redução conjunta da Amazônia Legal teria sido ainda maior.
Os dados consolidados reforçam a necessidade de identificar onde ocorreu essa expansão, quanto dela está associado a desmatamento ilegal e quais atividades econômicas avançaram sobre as áreas de vegetação nativa.
O Prodes, isoladamente, mede a extensão da cobertura retirada. A classificação de uma determinada supressão como legal ou ilegal depende do cruzamento com autorizações ambientais e outras bases de dados.
R$ 134 MILHÕES CONTRA CRIMES AMBIENTAIS - O avanço ocorre ao mesmo tempo em que Mato Grosso ampliou os recursos destinados às ações de prevenção e repressão aos crimes ambientais.
Neste ano, estão previstos R$ 134 milhões para combate ao desmatamento ilegal, exploração florestal irregular e incêndios florestais.
Os recursos integram o plano conduzido pelo Comitê Estratégico para o Combate ao Desmatamento Ilegal, Exploração Florestal Ilegal e Incêndios Florestais de Mato Grosso (Cedif/MT), criado em 2020.
Segundo dados do Governo do Estado, o orçamento destinado às ações aumentou de R$ 32 milhões em 2020 para R$ 125 milhões em 2025.
A estratégia reúne monitoramento por satélite, fiscalização em campo, responsabilização dos infratores, prevenção e combate aos incêndios e proteção da fauna.
O monitoramento remoto permite acompanhar continuamente o território e identificar alterações na cobertura vegetal, áreas de solo exposto e alertas de supressão, informações que posteriormente podem orientar as equipes de fiscalização em campo.
Os números consolidados pelo Inpe, entretanto, mostram que o aumento dos recursos e da capacidade de monitoramento ainda convive com um desafio concreto: Mato Grosso terminou 2025 com mais floresta derrubada do que no ano anterior, enquanto o restante da Amazônia Legal conseguiu reduzir o desmatamento.
MONITORAMENTO DESDE 1988 - O Prodes considera desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso ou o estágio final de um processo de degradação no qual ocorre a perda completa da copa das árvores, independentemente do uso posterior da área.
O sistema realiza o mapeamento sistemático da Amazônia Legal e calcula as taxas anuais de desmatamento desde 1988.
A série histórica é uma das principais referências utilizadas pelo Brasil para avaliar políticas de controle da derrubada da floresta e calcular emissões de gases de efeito estufa.
Os dados também subsidiam programas relacionados ao REDD+, mecanismo de redução de emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal, além de pesquisas científicas e iniciativas privadas ligadas à rastreabilidade das cadeias produtivas.
No agronegócio, informações do Prodes são utilizadas em mecanismos de acompanhamento da produção, como iniciativas relacionadas à soja e à pecuária bovina.
Para Mato Grosso, o resultado de 2025 coloca uma questão adicional sobre a política ambiental: por que o desmatamento voltou a crescer no Estado justamente no período em que caiu em todos os outros integrantes da Amazônia Legal?
Essa diferença passa a ser um dos principais pontos a serem explicados diante dos dados consolidados do monitoramento federal.

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