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Agronegócios
Quinta - 20 de Agosto de 2026 às 13:59
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da cacauicultura mato-grossense
Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da cacauicultura mato-grossense

O cacau começa a ultrapassar as áreas onde tradicionalmente é cultivado em Mato Grosso e surge como uma alternativa para produtores rurais interessados em diversificar a produção e criar novas fontes de renda.

Ainda concentrada principalmente no Noroeste, a cultura já avança para outras regiões do Estado impulsionada por pesquisa, assistência técnica, capacitação e implantação de novos plantios.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Mato Grosso produziu 471 toneladas de cacau em 2022, cultivadas em 724 hectares.

Embora a escala ainda seja pequena diante das principais atividades agrícolas do Estado, iniciativas mais recentes apontam para a ampliação de viveiros, jardins clonais e áreas cultivadas.

INFO cacau

Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes estão entre os principais polos da cacauicultura mato-grossense.

Novos projetos, entretanto, vêm sendo implantados em Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra.

A expansão abre uma possibilidade especialmente para a agricultura familiar: combinar o cacau com outras atividades da propriedade e, posteriormente, agregar valor à produção, deixando de vender apenas a matéria-prima.

ESPAÇO PARA CRESCER - Para o diretor de Projetos da Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso (Fedaf-MT), coronel Paulo Selva, um dos atrativos está na existência de mercado consumidor para a produção.

“A cultura do cacau apresenta excelente rentabilidade e existe um mercado consumidor interno que necessita de matéria-prima. O Brasil ainda precisa importar cacau para atender à demanda por amêndoas. Isso demonstra que existe espaço para novos produtores”, afirma.

Outro fator considerado favorável é a disponibilidade de variedades desenvolvidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Os diferentes materiais permitem avaliar quais apresentam melhor adaptação às condições de clima e solo encontradas nas regiões produtoras de Mato Grosso.

A escolha correta do material, porém, é apenas uma das decisões necessárias antes da implantação da lavoura.

O cacau é uma cultura perene e pode permanecer produtivo durante décadas, característica que possibilita ao agricultor planejar a atividade no longo prazo e conciliá-la com outras fontes de renda.

“Ela exige manejo constante, conhecimento técnico e planejamento, mas pode ser perfeitamente integrada a outras atividades desenvolvidas pelo agricultor familiar”, destaca Selva.

PLANTAR EXIGE PLANEJAMENTO - A possibilidade de retorno econômico não elimina os riscos de uma implantação inadequada.

Antes de investir, o produtor precisa avaliar as características da propriedade e montar planejamento técnico e financeiro.

Escolha dos clones, preparação da área, fertilidade do solo, irrigação e controle de pragas e doenças interferem diretamente no desempenho da cultura.

O cuidado continua depois que a planta começa a produzir.

Podas, momento correto da colheita e, principalmente, fermentação e secagem das amêndoas têm influência sobre a qualidade do produto que chegará ao mercado.

Por isso, a expansão da área cultivada precisa ser acompanhada pela qualificação dos produtores.

Uma das iniciativas é a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). Atualmente, o programa atende 31 produtores de cacau na região Norte do Estado.

O acompanhamento ocorre dentro da propriedade e inclui orientação sobre manejo, produtividade, custos, planejamento e gestão da atividade.

“A cacauicultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar em Mato Grosso. Mas, para isso, é fundamental que o produtor tenha acesso a conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico”, afirma a supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar-MT, Cristiani Bernini.

Segundo ela, o objetivo é fazer com que o produtor enxergue a cultura não apenas como uma nova lavoura, mas como um negócio.

“Ajudamos o produtor a produzir com eficiência, rentabilidade e sustentabilidade. A nossa função é contribuir para que ele tome decisões mais seguras, conheça os custos da atividade e consiga enxergar o cacau como um negócio dentro da propriedade”, acrescenta.

DO CACAU AO CHOCOLATE - Uma das vantagens econômicas da cultura está na quantidade de produtos que podem ser obtidos do mesmo fruto.

O produtor pode comercializar as amêndoas, mas também participar de etapas posteriores da cadeia, individualmente, por meio de associações e cooperativas ou em integração com agroindústrias.

A polpa pode ser destinada à produção de sorvetes, geleias, doces e bebidas.

O chamado mel de cacau pode ser utilizado em sucos e licores.

As amêndoas abrem outra cadeia de produtos, entre eles nibs, cacau em pó e chocolate. Já a manteiga de cacau possui aplicações nas indústrias alimentícia, cosmética e farmacêutica.

Até resíduos do processamento podem ganhar utilização econômica.

Cascas dos frutos e das amêndoas podem ser destinadas, entre outras possibilidades, à elaboração de compostos orgânicos e biofertilizantes.

Essa variedade permite que a renda gerada pelo cacau não termine necessariamente na porteira.

Para a agricultura familiar, a possibilidade de agregar valor pode ser tão importante quanto aumentar a área plantada.

Em vez de competir em escala com as grandes culturas agrícolas, o cacau abre espaço para um modelo baseado em diversificação, qualidade e processamento da produção.

O desafio agora é fazer com que a expansão dos plantios seja acompanhada por assistência técnica, organização dos produtores e estrutura de beneficiamento e comercialização.

É essa combinação que determinará se a cultura, ainda pequena em Mato Grosso, conseguirá se consolidar como uma nova fonte de renda no campo.





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