Indústria de MT demandará qualificação de 210 mil trabalhadores Projeção para 2026 e 2027 é puxada pela adoção de tecnologias e expansão da atividade; 179 mil trabalhadores que já estão empregados precisarão atualizar competências
A expansão da indústria e a incorporação de novas tecnologias deverão aumentar a procura por trabalhadores qualificados em Mato Grosso. Entre 2026 e 2027, a demanda por qualificação profissional no Estado é estimada em 210 mil pessoas, segundo o Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A maior necessidade não será necessariamente contratar novos trabalhadores. Dos 210 mil profissionais apontados pelo levantamento, 179 mil, ou cerca de 85%, já estão no mercado e precisarão atualizar conhecimentos e competências para acompanhar mudanças nas funções, equipamentos e processos produtivos.
Os outros 31 mil correspondem à necessidade de formação para atender à demanda por novos profissionais.
A projeção ocorre em um cenário de expansão e diversificação da indústria mato-grossense. Dados do Anuário da Indústria de Mato Grosso, elaborado pelo Observatório da Indústria do Sistema Fiemt, mostram que o setor responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e emprega 203,5 mil trabalhadores formais.
O desempenho recente da produção reforça esse movimento. Em junho, a indústria de Mato Grosso registrou crescimento de 1,6% no volume produzido em relação a maio, conforme a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisada pelo Observatório.
No mesmo período, a produção industrial brasileira recuou 1,8%.
Logística lidera demanda - A necessidade de qualificação alcança diferentes setores da economia, mas cinco áreas concentram parcela significativa da projeção para 2026 e 2027.
Logística e Transporte lideram, com necessidade de qualificação de 57 mil profissionais. Na sequência aparecem Agropecuária, com 24 mil; Construção, 21 mil; Manutenção e Reparação, 20 mil; e Alimentos e Bebidas, 18 mil.
Juntas, essas cinco áreas representam demanda por 140 mil profissionais, equivalente a dois terços das 210 mil pessoas que precisarão de algum tipo de qualificação no período.
A distribuição acompanha parte da estrutura produtiva do Estado. A indústria de transformação representa 57% da atividade industrial de Mato Grosso, enquanto a construção responde por 26%.
A concentração territorial do emprego também é elevada. A região intermediária de Cuiabá reúne 42% dos postos de trabalho industriais do Estado.
Para a diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai MT), Fernanda Campos, a formação da mão de obra precisa acompanhar a expansão da atividade econômica.
“Mato Grosso está passando por um processo importante de crescimento e transformação da sua indústria, e esse movimento precisa ser acompanhado pela formação de profissionais”, afirma.
Segundo ela, a qualificação tem impacto tanto para o trabalhador quanto para as empresas.
“Investir em qualificação é preparar as pessoas para novas oportunidades, mas também dar às empresas condições de encontrar trabalhadores com as competências necessárias para crescer e aumentar sua produtividade”, diz.
Tecnologia muda funções - A necessidade de atualizar 179 mil trabalhadores já empregados indica que o desafio não se limita à abertura de novas vagas.
Automação, digitalização, novos equipamentos e alterações nos processos produtivos modificam as competências exigidas mesmo em ocupações que já existem.
Para a gerente de Educação Profissional e Superior do Senai MT, Paullyanne Araújo, esse movimento exige formação contínua.
“A educação profissional precisa acompanhar a velocidade com que as ocupações se transformam. Hoje, não basta apenas preparar o trabalhador para executar uma determinada atividade; é necessário desenvolver competências que permitam a ele lidar com novas tecnologias, equipamentos, processos e diferentes ambientes de trabalho”, afirma.
O Mapa do Trabalho Industrial considera tanto a formação de novos profissionais quanto a atualização daqueles que permanecem empregados, levando em conta as mudanças esperadas nas ocupações e as necessidades projetadas para os próximos anos.
Expansão depende de mão de obra - Na avaliação da gerente de Desenvolvimento Industrial do Sistema Fiemt, Vanessa Gasch, a disponibilidade de profissionais preparados será um dos fatores necessários para sustentar a expansão do setor.
“Os dados mostram que Mato Grosso tem uma indústria que cresce, amplia sua participação na economia e, ao mesmo tempo, se torna mais diversificada”, afirma.
Para ela, a qualificação também está diretamente relacionada à produtividade das empresas.
“Em um cenário de transformação do mercado de trabalho, profissionais qualificados, com capacidade de aumentar a produtividade das indústrias, sustentam a expansão das empresas e ajudam o Estado a transformar seu potencial produtivo em desenvolvimento econômico”, completa.
Com 203,5 mil empregos formais já vinculados à indústria e uma demanda de qualificação que alcança 210 mil pessoas em apenas dois anos, os números mostram que o novo ciclo industrial de Mato Grosso exigirá não apenas mais trabalhadores, mas principalmente a atualização de quem já ocupa os postos de trabalho.

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