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Economia
Sexta - 04 de Setembro de 2026 às 16:45
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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Testes moleculares permitem identificar fungos, nematoides e outros patógenos antes da germinação
Testes moleculares permitem identificar fungos, nematoides e outros patógenos antes da germinação

Às vésperas do início de uma nova safra de soja em Mato Grosso, o planejamento da lavoura começa antes mesmo de as plantadeiras entrarem em campo.

Com o encerramento do período obrigatório do vazio sanitário, produtores se preparam para iniciar a semeadura do ciclo 2026/27 e ampliam a atenção sobre um fator que pode determinar o desempenho das plantas desde os primeiros dias: a condição biológica do solo.

Além das tradicionais análises químicas e físicas, que indicam características como fertilidade, acidez e disponibilidade de nutrientes, ferramentas de biologia molecular vêm sendo utilizadas para identificar microrganismos presentes nos talhões.

O objetivo é antecipar a presença de fungos, nematoides e outros agentes capazes de provocar doenças e perdas de produtividade.

INFO solo soja

Uma das técnicas utilizadas é a qPCR, sigla para Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real.

O método permite detectar e quantificar material genético de determinados organismos presentes no solo, inclusive antes que a lavoura apresente sintomas visíveis.

A informação antecipada pode ajudar o produtor a decidir quais cultivares utilizar, definir estratégias de manejo fitossanitário e escolher produtos biológicos ou outros tratamentos para as sementes.

“Antes do plantio, é importante conhecer as condições do solo, que podem abrigar diferentes patógenos.

Quando a semente germina e a planta começa a se desenvolver, esses organismos encontram condições favoráveis para se multiplicarem e podem comprometer a lavoura”, explica Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado.

Segundo ela, o diagnóstico antecipado permite selecionar cultivares mais adequadas, definir os bioinsumos para o tratamento das sementes e estabelecer medidas preventivas de manejo fitossanitário.

Parte dos patógenos consegue permanecer no solo mesmo durante períodos secos e voltar a se multiplicar quando aumentam a umidade e a disponibilidade de hospedeiros.

O problema é particularmente importante no início do ciclo, quando ataques às raízes podem prejudicar o estabelecimento das plantas e comprometer o potencial produtivo.

Por isso, a identificação antes da semeadura permite que o manejo seja planejado de acordo com as condições encontradas em cada área, em vez de ocorrer somente depois do aparecimento dos primeiros sintomas.

Outra tecnologia que começa a ampliar as possibilidades de diagnóstico é o sequenciamento de DNA de nova geração, conhecido pela sigla NGS.

A ferramenta permite caracterizar de maneira mais abrangente a comunidade de microrganismos existente no solo, incluindo organismos potencialmente prejudiciais e aqueles associados ao equilíbrio biológico dos talhões.

BIOINSUMOS - A proximidade da semeadura também movimenta outro mercado que ganhou espaço nas lavouras brasileiras nos últimos anos: o de bioinsumos. Muitos desses produtos utilizam microrganismos vivos, como bactérias e fungos, empregados no controle de pragas e doenças, na nutrição das plantas e em diferentes estratégias de manejo.

No último balanço anual consolidado citado pelo setor, o mercado brasileiro de produtos biológicos movimentou mais de R$ 6,2 bilhões, crescimento de 15%. A área tratada alcançou 194 milhões de hectares, avanço de 28%.

A soja concentra a maior parcela desse mercado.

A cultura responde por 62% do consumo de bioinsumos no país, enquanto a taxa média de adoção por área plantada passou de 23% para 26%.

A expansão aumenta também a necessidade de controle sobre a qualidade dos produtos.

Diferentemente de defensivos convencionais, parte dos bioinsumos depende da presença e da viabilidade de organismos vivos, o que exige cuidados desde a fabricação até o armazenamento e transporte para as propriedades rurais.

A própria técnica de qPCR empregada na análise do solo também pode ser utilizada pelas indústrias para verificar a identidade genética dos microrganismos presentes nos produtos e identificar eventuais contaminações durante o processo produtivo.

Para Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, a incorporação dessas ferramentas ocorre em um momento decisivo.

Com a abertura da janela de semeadura da safra 2026/27, o conhecimento mais detalhado das condições de cada talhão passa a integrar as estratégias utilizadas para reduzir riscos sanitários e buscar maior eficiência no manejo.

A tecnologia não elimina as incertezas impostas pelo clima ou a necessidade do acompanhamento agronômico ao longo do ciclo.

Mas permite que parte dos problemas que antes só era percebida depois da emergência das plantas seja identificada ainda antes da primeira semente chegar ao solo.





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