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Economia
Quarta - 16 de Setembro de 2026 às 10:41
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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As famílias cuiabanas estão mais cautelosas na hora de consumir e encontram mais dificuldade para conseguir crédito. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou em agosto a terceira queda consecutiva em Cuiabá, passando de 114,1 pontos, em maio, para 107,7 pontos.

A retração acumulada no período é de 5,9% e chama atenção porque o indicador não apresentava uma sequência de quedas desde o fim do ano passado, conforme análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) sobre os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

INFO consumo familias cuiaba

Mesmo com a queda, o índice permanece acima dos 100 pontos, faixa que indica percepção ainda favorável ao consumo. A mudança, portanto, não significa que as famílias deixaram de consumir, mas mostra uma perda de confiança e maior cautela em relação aos próximos meses.

Um dos sinais mais claros dessa mudança aparece no crédito. Em maio, 40,3% das famílias entrevistadas relatavam dificuldade para obter financiamento. Em agosto, essa parcela chegou a 48%.

São 7,7 pontos percentuais a mais em apenas três meses. O avanço pode estar relacionado a maior seletividade das instituições financeiras na concessão de crédito e às próprias condições financeiras das famílias.

O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, relaciona o movimento também ao endividamento e à utilização do crédito para complementar o orçamento doméstico.

“O avanço no percentual da percepção de dificuldade para obtenção de financiamentos sugere maior seletividade e rigidez por parte das instituições financeiras na concessão de crédito, fator que corrobora a tese de crescente dependência do endividamento para a complementação do orçamento doméstico”, afirma.

SEIS INDICADORES RECUAM - A perda de ritmo não ficou restrita ao acesso ao crédito. Dos componentes avaliados pela pesquisa, seis apresentaram variação negativa.

O indicador de Compra a Prazo caiu 2,6%, a maior retração observada. Na sequência aparecem Perspectiva Profissional, com queda de 2,1%; Renda Atual, de 1,4%; Nível de Consumo Atual, de 1,2%; Perspectiva de Consumo, de 0,7%; e Emprego Atual, de 0,5%.

O comportamento conjunto ajuda a explicar a redução do índice geral e revela uma combinação de maior dificuldade para financiar compras com expectativas menos favoráveis em relação ao emprego, renda e consumo.

A exceção foi o indicador Momento para Duráveis, que avançou 0,4%. O resultado sinaliza que, mesmo diante da maior cautela, parte das famílias ainda avalia positivamente a aquisição de bens de maior duração.

EMPREGO E RENDA AINDA SUSTENTAM CONFIANÇA - Os próprios dados da pesquisa mostram que o cenário não é inteiramente negativo.

Em Cuiabá, 48,3% das famílias afirmaram sentir maior segurança no emprego atual em comparação com agosto de 2025. Além disso, 52,2% consideram que a renda familiar está melhor do que no mesmo período do ano passado.

É essa combinação que impede, até agora, uma deterioração mais acentuada da intenção de consumo. O cuiabano está mais cauteloso e enfrenta maior dificuldade de crédito, mas uma parcela relevante ainda relata melhora na renda e segurança no trabalho.

“A resiliência do subíndice de duráveis e o otimismo de parcela expressiva dos entrevistados em relação à renda e à segurança no emprego indicam que a cautela atual tem caráter temporário e se apoia em fundamentos de médio prazo ainda sólidos”, avalia Tião da Zaeli.

A interpretação, contudo, dependerá dos próximos levantamentos. Uma nova queda ampliaria a sequência negativa iniciada no segundo trimestre e indicaria que a cautela das famílias está se prolongando.

PAÍS TAMBÉM REGISTRA RECUO - A perda de ritmo observada em Cuiabá ocorre simultaneamente a uma desaceleração nacional, embora em intensidade menor.

No país, a Intenção de Consumo das Famílias passou de 104 pontos para 103,9 pontos, voltando a apresentar retração após um período de estabilidade.

Assim como em Cuiabá, o indicador brasileiro continua acima da linha de 100 pontos, mas mostra consumidores mais prudentes diante das perspectivas para orçamento, emprego e poder de compra.

“O recuo observado no mercado cuiabano sintoniza-se parcialmente com o comportamento de cautela orçamentária disseminado em âmbito nacional, refletindo pressões concorrentes sobre as expectativas do mercado de trabalho e o poder de compra das famílias”, afirma o presidente da Fecomércio-MT.

Em Cuiabá, o ponto de maior atenção está no crédito. Quase metade das famílias já relata dificuldade para conseguir financiamento, ao mesmo tempo em que seis dos sete componentes destacados no levantamento perderam força. O emprego e a percepção de melhora da renda ainda funcionam como contrapeso, mas os próximos meses mostrarão se serão suficientes para interromper a sequência de queda na disposição para consumir.





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