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Agronegócios
Quinta - 01 de Outubro de 2026 às 07:53
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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A produtividade de uma lavoura de soja não depende de uma única decisão tomada pelo agricultor. O resultado é construído pela combinação entre clima, genética, qualidade do solo, disponibilidade de água, controle de pragas e doenças e manejo realizado ao longo do ciclo da cultura.

Parte desses fatores está sob controle direto do produtor, como a escolha da cultivar, a correção e nutrição do solo e as estratégias de manejo. Outros, principalmente as condições climáticas e determinadas características da área, não podem ser controlados, mas precisam entrar no planejamento da safra.

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Pesquisadores dos Centros Tecnológicos (CTECNOs) da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e do Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT) destacam que conhecer o ambiente de produção é essencial para reduzir limitações e permitir que a planta expresse seu potencial produtivo.

Entre os componentes de maior peso está o clima. Temperatura, disponibilidade de água e radiação solar interferem diretamente no desenvolvimento da soja e ajudam a definir até mesmo o período mais adequado para a semeadura.

“O clima precisa ser ponderado, ter temperaturas e insolação adequadas, não pode ser muito chuvoso, nem pouco chuvoso. Por isso o clima é o que determina as épocas do ano de semeadura das culturas”, explica o coordenador de pesquisa do CTECNO Araguaia, André Somavilla.

Excesso ou escassez de chuva, temperaturas muito altas ou baixas e luminosidade inadequada podem limitar o desenvolvimento das plantas. Como o clima não pode ser controlado, uma das ferramentas utilizadas para reduzir riscos está no desenvolvimento e na escolha de materiais genéticos adaptados aos diferentes ambientes.

GENÉTICA

O melhoramento genético permite selecionar características consideradas desejáveis, como maior potencial produtivo, resistência ou tolerância a determinadas pragas e doenças e maior eficiência em componentes relacionados à produção.

“O melhoramento genético é extremamente importante porque ele consegue selecionar e mesmo cruzar indivíduos que possuem características desejáveis”, afirma Somavilla.

Na prática, isso significa que a cultivar não deve ser escolhida apenas pelo potencial de produtividade demonstrado em condições ideais. É preciso considerar sua adaptação à região e à propriedade, além do histórico fitossanitário e das condições de clima e solo.

Uma cultivar de elevado potencial, por exemplo, pode não atingir o desempenho esperado quando implantada em um ambiente que apresenta limitações. Por isso, genética e ambiente precisam caminhar juntos.

SOLO

Outro componente decisivo está abaixo da superfície. A qualidade do solo interfere no desenvolvimento das raízes, na disponibilidade de nutrientes e nas condições oferecidas à planta durante todo o ciclo.

Segundo a pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, os principais atributos da qualidade do solo podem ser divididos em três grupos: químicos, físicos e biológicos.

“Aqueles solos com má qualidade química, com baixa disponibilidade de nutrientes, acidez restritiva ao crescimento radicular, podem prejudicar a produtividade das culturas. Solos compactados também podem prejudicar o desenvolvimento radicular das culturas e reduzir o potencial produtivo”, explica.

A pesquisadora acrescenta que a atividade biológica também é fundamental. Baixa presença e atividade de microrganismos e baixos teores de matéria orgânica podem afetar negativamente o desempenho da soja.

A disponibilidade hídrica completa esse conjunto. A água participa dos processos fisiológicos da planta e é indispensável para a absorção dos nutrientes presentes na solução do solo.

“Todos os processos envolvendo as plantas envolvem água. A absorção de nutrientes pela solução do solo é dependente da presença dessa água no solo que é abastecida pela chuva”, observa Daniela.

Não basta, contudo, considerar apenas o volume total de precipitação. A distribuição das chuvas ao longo do ciclo também interfere na quantidade de água efetivamente disponível para a cultura.

MANEJO

É no manejo que os diferentes componentes da produtividade se encontram. Escolha da cultivar, época de semeadura, correção e fertilidade do solo, implantação da cultura e acompanhamento da lavoura precisam estar ajustados ao ambiente de produção.

Uma deficiência em determinada etapa pode comprometer o resultado mesmo quando os demais fatores são favoráveis.

A proteção contra pragas e doenças também precisa acompanhar todo o ciclo. Conforme Somavilla, qualquer dano capaz de comprometer o desenvolvimento da planta pode repercutir no rendimento.

“Uma planta que não está sadia, não está em seu pleno desenvolvimento, ela vai ter perda de produtividade, independente do grau de intensidade dessas avarias na cultura”, afirma.

Embora existam níveis de dano considerados toleráveis dentro das estratégias de manejo, o monitoramento permanente permite identificar problemas, dimensionar sua intensidade e decidir quais medidas devem ser adotadas.

PLANEJAMENTO COMEÇA ANTES DO PLANTIO

Para o produtor, portanto, a construção do potencial produtivo começa antes de as máquinas entrarem na área. Histórico da propriedade, características químicas, físicas e biológicas do solo, comportamento das cultivares, clima da região e principais problemas fitossanitários devem orientar as decisões.

A análise e o diagnóstico do solo ajudam a identificar limitações. A escolha genética deve levar em conta a adaptação ao ambiente, enquanto o calendário de implantação precisa considerar as características climáticas de cada região produtora.

O objetivo é fazer com que a soja atravesse seu ciclo submetida ao menor número possível de fatores limitantes.

Nesse conjunto, não existe uma única fórmula capaz de assegurar elevada produtividade. O resultado decorre da interação entre genética, ambiente, solo, água, sanidade, manejo e planejamento. Quanto mais esses componentes estiverem ajustados às condições de cada propriedade, maiores serão as possibilidades de a lavoura expressar seu potencial produtivo.





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