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Opinião
Quinta - 02 de Setembro de 2021 às 06:42
Por: Ana Adélia Jácomo

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A globalização da informação e da comunicação trouxe uma falsa sensação de liberdade. A censura e o grande controle de mentes nunca foram tão latentes, ainda que digam ao contrário. No passado, a censura era clara, declarada, e não há nada mais perigoso que um inimigo desconhecido ou travestido.

Atrás de um computador, ou de um celular, a censura é vista na restrição de comentários, na exibição de propagandas escolhidas para serem mostradas a você, levando em consideração o que fala ou pesquisa, reduzindo a possibilidade de ter conhecimento. Censura-se por medo do que o outro vai pensar (cultura do cancelamento), falta empatia pelo simples fato de estarmos nos dividindo em caixas.

Uma frase tem sido dita: “Não é meu (ou seu) lugar de fala”. Quando se perpetua tal mentalidade, se separa pessoas que deveriam se sentir iguais, pois a igualdade gera empatia. Se colocar no lugar do outro, gera compaixão.

Não permita que te coloquem em uma caixa onde há apenas semelhantes a você, seja na cor, credo, posição social, sexualidade ou qualquer outro limitante criado.

A limitação de livre criação chega a pontos assombrosos. A um escritor, a um comunicador, cantor ou artistas há limitações sobre o que expressar, sobre o que falar. Se não concorda, pense se você possui liberdade para expressar sua alma. A banalização do sexo e da vida, são formas de torpor que servem para nos dar a falsa sensação de liberdade de expressão, quando na verdade, são amarras poderosas de alienação.

Independência é, na verdade e sem sombra de dúvidas, ilusória. Independência ou morte! Nunca fez tanto sentido

Falando sobre o jornalismo, ainda que rasamente, humildemente, e sem qualquer pretensão de representar uma classe, há censura. Sim. Em pleno século XXI, cercados de boas ferramentas tecnológicas de pesquisa e trabalho nos deparamos com a completa falta de liberdade de expressão.

Além de toda máquina, do sistema, não é mais possível, na grande maioria das coletivas de imprensa, fazer perguntas ao personagem central que não forem referentes ao tema do evento.

Por exemplo, se o personagem irá entregar uma obra de infraestrutura e o repórter questionar sobre um tema político, corre o risco de ser xingado publicamente, maltratado ou ignorado. Não gera indignação para alguns um jornalista ser mandado “calar a boca”, ao contrário, gera prazer. São os adeptos à censura. Eles vibram.

Pior ainda ocorre nas coletivas virtuais, onde as perguntas são enviadas à equipe do entrevistado antes do evento, e depois são lidas, mas não sem antes sermos notificados de que em hipótese alguma pergunta fora do tema do evento será respondida. (????).

Experimente fazer um pedido formal de entrevista, por e-mail, sobre temas políticos, atualidades, ou onde precise expor ideias. Dificilmente haverá retorno, a não ser que tenha influência, ou pior, que seja de interesse do interlocutor falar sobre o tema. Necessariamente, precisa haver implicitamente uma troca de favores.

O corporativismo está presente em todas as instituições. O cerceamento à liberdade de questionar, investigar, divulgar transforma todo jornalismo em propaganda, ainda que de forma involuntária.

Na próxima semana é celebrada a Independência do Brasil. Ironicamente, a independência é, na verdade e sem sombra de dúvidas, ilusória. Independência ou morte! Nunca fez tanto sentido.

Ana Adélia Jácomo é jornalista em Cuiabá.



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