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Opinião
Domingo - 05 de Julho de 2026 às 00:00
Por: Edleusa Mesquita

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Fazer política sendo mulher no Brasil é um exercício diário de sobrevivência em um sistema que ainda a enxerga como intrusa. Essa barreira é histórica e alimentada pelo preconceito de que a firmeza e a razão pertencem apenas aos homens, enquanto às mulheres restam os estereótipos da emoção ou a limitação às pautas assistenciais.

Quando decidem debater economia, infraestrutura ou segurança, elas precisam provar o dobro de competência para conquistar respeito.

A violência contra a mulher eleita é silenciosa e psicológica: manifesta-se em interrupções na tribuna, dolorosas ironias dos colegas e ataques pessoais nas redes sociais para tentar sinalizar que aquele espaço não lhes pertence.

O reflexo exato disso está na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que em décadas de história nunca elegeu uma mulher para a presidência.


Essa exclusão não ocorre por falta de capacidade, mas por articulações de bastidores que mantêm o comando como um território masculino proibido.

A democracia será incompleta enquanto a liderança feminina for tratada como uma concessão.

O espaço político não precisa de mulheres apenas para cumprir cotas ou ilustrar propagandas eleitorais.

Sobreviver na política é o que elas fazem hoje; liderar com excelência é o que elas entregam.

A presença feminina no topo não diminui ninguém, pelo contrário, engrandece a democracia e traz o equilíbrio necessário para as grandes decisões.

O futuro da nossa sociedade não se constrói olhando apenas para metade da população.

É hora de reconhecer que a inteligência, a firmeza e a capacidade de governar não têm gênero, e que Mato Grosso e o Brasil só estarão completos quando as mulheres ocuparem, por direito e competência, o topo das mesas de decisão.

Edleusa Mesquita é investigadora da Polícia Civil.



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