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Saúde
Quarta - 21 de Abril de 2004 às 13:13

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Eram 5h da manhã quando a dona de casa Edite Conceição de Araújo, 53 anos, deixou sua casa, no município de Candeias, e seguiu viagem rumo a Salvador, onde tinha uma cirurgia de retirada de um mioma marcada para a manhã de ontem, no Hospital Ana Nery. Ao chegar ao hospital, por volta das 10h, teve a certeza de que sua viagem havia sido em vão. O motivo estava estampado na porta do Ana Nery, numa enorme faixa, onde lia-se: "Estamos em greve". Edite sentou-se em um banco e respirou fundo, contemplando a recepção já vazia do hospital, onde muitos outros pacientes também já haviam esperado por um atendimento que não veio.

"A greve é um direito dos trabalhadores, mas é prejudicial para nós. Os ricos podem ir para os hospitais particulares", desabafou dona Edite, ao lado da filha Rosângela Araújo da Silva, 31 anos, que a acompanhou em sua viagem. Mãe e filha contaram que já vinham tentando marcar a cirurgia há um ano, pois dona Edite estava até mesmo sofrendo hemorragias por conta do problema. "O pessoal do hospital até já tinha me avisado, dias atrás, de que eu talvez não fosse atendida hoje (ontem) por conta de uma possível greve, mas eu resolvi aventurar", disse.

Dona Edite foi protagonista de uma situação que se repetiu com muitas outras pessoas. Com o início da greve por tempo indeterminado, deflagrada pelos servidores públicos federais na Bahia (atingindo, inclusive, os trabalhadores na área da saúde), o dia de ontem foi cheio de viagens perdidas e de idas e vindas para os baianos. Principalmente para aqueles que tinham compromissos com a saúde, seja consultas, exames ou cirurgias que não aconteceram.

Enquanto alguns pacientes recebiam logo a notícia de que não seriam atendidos, outros viviam momentos de dúvida. Foi o caso do lavrador José Carlos Almeida Lima, 36 anos, que deixou o município baiano de São Felipe, a 170km de Salvador, para vir até o Hospital Ana Nery, onde tinha um exame urológico marcado para às 13h de ontem. "A recepcionista me disse que eu seria atendido, mas com essa greve ninguém sabe...", dizia ele, com ar de descrença, sentado no banco de espera. O lavrador saiu de São Felipe às 5h e chegou ao hospital às 8h. Chegava perto de 11h e José Carlos continuava sem saber se o seu atendimento sairia ou não.

Enquanto isso, no Hospital Manoel Vitorino, em Nazaré, a informação obtida na portaria era de que apenas as consultas previamente marcadas estavam acontecendo. De manhã, a merendeira Regina Lúcia Estrela, 36 anos, esteve lá acompanhando a filha Eliana, 20, que foi se submeter a um exame já agendado. Regina aproveitou a oportunidade para tentar marcar uma consulta, para si própria, com um ginecologista ou um otorrino. Nada feito. Por conta da greve, a consulta ficará para depois. "Se eu soubesse que ia ter greve de novo, nem teria vindo", disse ela, que saiu do Cabula VI para ir até o hospital. Com a paralisação, os servidores pleiteiam reposição das perdas salariais de 120%. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Previdência e Assistência Social do Estado da Bahia (Sindprev/BA), 12 mil funcionários estã oparados.




Fonte: Correio da Bahia

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