Faltas deixam quase 4 em cada 10 consultas sem atendimento em Cuiabá Só nos 2 Centros de Especialidades Médicas, 21,9 mil consultas deixaram de ser realizadas, no 1º semestre
Enquanto pacientes aguardam na fila por uma consulta especializada em Cuiabá, milhares de vagas disponibilizadas pela rede municipal de Saúde não são utilizadas.
Somente no primeiro semestre deste ano, 21.908 consultas deixaram de ser realizadas, nos Centros de Especialidades Médicas (CEM) Centro e Coxipó, porque os pacientes agendados não compareceram.
O número representa 38,7% das 56.592 vagas ofertadas pelas duas unidades, entre janeiro e junho.
Na prática, quase quatro de cada dez horários disponibilizados foram perdidos por ausência do paciente.

O problema é ainda mais acentuado no CEM Coxipó.
Das 21.898 vagas disponibilizadas, foram realizados 9.926 atendimentos e registradas 11.972 faltas, correspondentes a 54,7% da oferta.
Ou seja, mais da metade dos horários acabou sem atendimento.
No CEM Centro, foram disponibilizadas 34.694 vagas.
A unidade realizou 17.033 consultas e contabilizou 9.936 ausências, equivalentes a 28,6% da capacidade ofertada.
Os números mostram que o absenteísmo se tornou um dos obstáculos para reduzir as filas por atendimento especializado na Capital.
Uma vaga reservada para um paciente que não comparece e não comunica antecipadamente a ausência dificilmente consegue ser repassada a outra pessoa que espera pelo mesmo serviço.
O resultado é uma contradição dentro da própria rede: há pacientes esperando por atendimento ao mesmo tempo em que médicos, salas e horários previamente reservados ficam ociosos.
PROBLEMA TAMBÉM ATINGE EXAMES - As faltas não estão restritas aos dois Centros de Especialidades.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o índice médio de absenteísmo nas consultas realizadas por meio do Sistema de Regulação (Sisreg) chega a 35,4%.
Nos exames especializados, a situação é praticamente igual: 35,5% dos pacientes agendados não comparecem.
Entre as especialidades médicas com maior número de ausências estão oftalmologia, ortopedia, cirurgia geral, cardiologia e endocrinologia.
Na área de diagnóstico, a Secretaria aponta maior absenteísmo em exames como ultrassonografia transvaginal, ultrassonografia de abdome total, endoscopia digestiva alta, mamografia, colonoscopia e densitometria.
Além de prolongar a espera de quem permanece na fila, cada ausência representa uma estrutura que foi preparada para um atendimento que não ocorreu.
A SMS afirma que a comunicação antecipada da desistência permitiria que parte dessas vagas fosse destinada a outros pacientes.
“Quando o paciente mantém seus dados atualizados e comunica antecipadamente caso não possa comparecer, ele ajuda não apenas na organização do atendimento, mas também contribui para que outra pessoa que está aguardando na fila consiga acesso ao serviço”, afirma a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon.
CADASTRO DESATUALIZADO - A Prefeitura aponta outro problema que contribui para a perda de atendimentos: a dificuldade para localizar os próprios pacientes.
Em muitos casos, segundo a Secretaria, as equipes da regulação tentam informar ou confirmar o agendamento, mas encontram números de telefone desatualizados ou inexistentes, mudança de endereço e ausência de um contato alternativo no cadastro.
Por isso, a SMS orienta a população a manter atualizadas as informações vinculadas ao Cartão SUS.
A atualização pode ser realizada em qualquer uma das 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá ou durante as visitas domiciliares dos agentes comunitários de saúde.
Com telefone e endereço corretos, a rede consegue comunicar novos agendamentos e remarcações, confirmar consultas e exames e tentar preencher rapidamente uma vaga quando ocorre uma desistência.
A orientação é que o paciente que souber antecipadamente que não poderá comparecer comunique a situação à Unidade de Saúde da Família, à Central de Regulação ou pelos canais oficiais de atendimento.

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