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Saúde
Domingo - 02 de Abril de 2006 às 10:09

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Um novo caso de câncer bucal é diagnosticado a cada semana em Mato Grosso. Entre 2000 e 2005 foram confirmadas 135 lesões malignas deste tipo e outros 41 fúngicas, que se não são tratadas também levam à morte. Neste período passaram pelos laboratórios do Hospital Geral Universitário (HGU) e pelo MT Laboratório 4.459 análises de pacientes com histórico suspeito. O diagnóstico tardio do câncer bucal ainda faz com que em 65% dos casos a doença seja detectada em estágio avançado. Sendo assim, quando o paciente consegue a cura, fica mutilado. Fumantes, alcoólatras, homens e pessoas acima de 40 anos são o grupo de maior incidência da doença. A intensa exposição ao sol, em nossa região, também contribui para aumento dos casos, atingindo principalmente os lábios inferiores.

O número de casos detectados no Estado é alto, mas tende a ser muito maior, já que poucos profissionais estão preparados para fazer o diagnóstico da doença nos consultórios odontológicos e o encaminhamento do paciente para análise laboratorial, explica Artur Aburad de Carvalhosa.

O coordenador do laboratório de análise anátomo-patológica da Universidade de Cuiabá (Unic) diz que nos últimos anos a grade curricular dos cursos de odontologia foi adaptada para capacitar os odontólogos para o diagnóstico da doença e fazer a prevenção durante o atendimento de rotina nos consultórios.

Carvalhosa informa que tem atuado, dentro da Secretaria Estadual de Saúde (SES), em cursos de capacitação no interior para oferecer aos profissionais a oportunidade de atualização, para o diagnóstico precoce. No caso das lesões fúngicas ou paracoccidioidomicosa, o diagnóstico tardio pode levar à morte, já que a infecção que se manifesta na boca esconde uma maior, alojada no pulmão, que pode ser fatal. Esta doença é comum entre agricultores da zona rural. A contaminação é feita por um fungo que está na terra e que tem no homem o único hospedeiro.

Mesmo com o quadro alarmante de evolução do câncer bucal, inclusive em nível mundial, Carvalhosa garante que Mato Grosso hoje pode ser considerado um dos estados em que existe uma política de saúde voltada para o câncer bucal. Uma equipe multidisciplinar atua em laboratórios de análise e atendimentos do centro odontológico do Hospital do Câncer e Centro Especial de Odontologia (Ceop). Outros profissionais fazem cursos de especialização e doutorado na área de patologia bucal em grandes centros universitários para voltar e atuar aqui.

É o caso da estudante do quarto ano de odontologia da Unic, Fernanda Vieira Bezerra. Falta 1 ano para o fim do curso, mas desde o primeiro ano atua na patologia bucal. Começou junto com o laboratório e pretende continuar os estudos na área de diagnóstico patológico em São Paulo. Garante que o foco da atuação continua sendo Cuiabá.

Também formado pela Unic, Arlindo Aburad faz doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Ele tem o claro objetivo de investir em programas de prevenção ao câncer bucal. Acredita que se forem massificadas campanhas, principalmente junto aos grupos mais jovens, o aparecimento da doença no futuro será reduzido, já que este tipo de câncer pode aparecer depois de 30 anos na vida do paciente.

Campanhas alertando contra o uso de fumo e álcool, na adolescência, são fundamentais, alerta o profissional.




Fonte: Gazeta Digital

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