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Saúde
Segunda - 12 de Abril de 2004 às 12:17

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Um relatório publicado ontem pela revista Neuropsychology mostra que os "gênios da matemática" realmente têm algo diferente: as duas metades de seu cérebro interagem melhor que nas demais pessoas. A revista da Associação Psicológica dos Estados Unidos fala sobre um estudo do Instituto de Pesquisa do Exército dos EUA e cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Os cientistas estudaram 60 homens inteligentes: 18 deles tinham dons destacáveis para a matemática (com uma média de 14 anos), 18 tinham capacidade mediana para a matemática (idade média de 13 anos), e 24 eram estudantes universitários (idade média de 20 anos). O hemisfério esquerdo do cérebro é responsável pelo pensamento lógico e analítico, enquanto a parte direita predomina nas funções de pensamento estético, intuitivo e criativo. As aptidões para a matemática ocorrem aparentemente com mais freqüência entre os homens do que entre as mulheres, numa proporção de seis a 13 vezes mais.

Os "gênios da matemática" foram selecionados de um programa da Universidade do Estado de Iowa. Enquanto a média das provas de matemática no exame de aptidão universitária é de 500 pontos sobre 800, os homens com maiores aptidão tiveram uma média de 620 pontos no ensino médio. Os homens precoces em matemática eram igualmente bons no processamento de elementos globais e locais com qualquer dos hemisférios, o que sugere cérebros mais interativos e com maior cooperação entre os lados direito e esquerdo.

O estudo sustenta a noção de que os rapazes que têm aptidões matemáticas maiores também têm cérebros que transmitem e integram melhor a informação entre os hemisférios. "Não se trata de que se tenha um módulo matemático especial em alguma parte do cérebro", disse Michael O'Boyle, um dos autores do estudo. "Trata-se mais da organização funcional peculiar do cérebro."

"Uma melhor organização permite que o hemisfério direito contribua par o uso das imagens e destrezas espaciais de alto nível, as quais, por sua vez, se tornam muito úteis quando se trata do racionamento matemático", acrescentou.

A pesquisa reforça a noção mais ampla de que "a organização funcional, embora não necessariamente a estrutura do cérebro, pode contribuir de maneira importante para as diferenças nas qualidades cognitivas, nos talentos e pelo menos nos estilos de processamento da informação", observou O'Boyle. As diferentes expressões de talentos excepcionais, seja para matemática, música ou arte, "podem assinalar que um cérebro organizou seu funcionamento de uma forma qualitativamente diferente da habitual assimetria entre os hemisférios direito e esquerdo", acrescentou.

Mas o pesquisador disse não ter certeza de que estas conclusões possam ser aplicadas no ensino da matemática em geral. Para O'Boyle, seu trabalho talvez dê uma contribuição sobre o momento em que um cérebro em particular "está mais propenso a aprender" ou a adquirir uma determinada destreza. "Mas não penso que possamos criar um gênio matemático se o talento inato já não estiver ali", disse.




Fonte: EFE

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